A sociedade do cansaço! Tema da redação do concurso de Analista Judiciário do TRF1 – 26/11/17

Mais 0,25 pontos para a conta e ainda tive a oportunidade de ‘combater o bom combate’ com a ideologia decadente da esquerda!!!

O resultado provisório da prova do concurso de Analista Judiciário – área judiciária, do Tribunal Regional Federal da Primeira Região – TRF-1, ao qual fiz, em 26/11/17, foi divulgado. Apesar de provavelmente não ser chamado, até o final da validade do concurso (há alguma probabilidade, mas muito remota), fiquei muito feliz com o resultado, principalmente quanto a prova discursiva.

Estou classificado/aprovado, entre os mais de 100 mil candidatos que se inscreveram neste concurso… E assim, mesmo não sendo convocado, poderei utilizar essa aprovação para fins de pontuação nos concursos da magistratura (aprovação em concurso público vale 0,25 pontos na fase de títulos).

Dentre os candidatos, de todo o Brasil, que concorreram para as mesmas vagas que disputei (pólo Brasília – PCD), fiquei em 14º e, considerando somente a prova discursiva, fiquei em 3º lugar.

O CESPE, como sempre, com o seu viés ideológico e carregado com o ranço de um Estado paquiderme, ineficiente e provedor de tudo e de todos (com os nossos impostos), fez uma proposta de redação onde, de forma subliminar, queria que os candidatos (o padrão de respostas divulgado confirmou isso), através de dois ‘textos motivadores’ – cujo um dos autores era Leonardo Boff – considerado o ‘grande filósofo’ pelos apoiadores dos partidos de esquerda, principalmente do PT – trazia a temática da chamada ‘sociedade do cansaço’, onde, em suma, critica, para variar, o modelo atual de produção e de vida dos países mais desenvolvidos.

O alvo predileto é os Estados Unidos, país este tido por eles como nefasto (‘porco capitalista’) e a ser destruído, do ponto de vista do modelo econômico e do estilo de vida adotado por sua população. Ao mesmo tempo em que fazem críticas ferrenhas a este modelo, não perdem a oportunidade para ostentar os últimos produtos a venda nos ‘out-lets’ de NYC ou Miami, isso quando, eles próprios não possuem propriedades por lá e frequentemente estão viajando para aquele ‘inferno consumista’!

Pois bem, voltando ao assunto deste post, quando recebi a proposta da prova discursiva, depois de ter respondido as 120 questões objetivas, já sabendo que não tinha me saído muito bem, dado o grau de dificuldade, ao ler os ‘textos motivadores’, fiquei indignado e pensei comigo, ‘posso até não ser aprovado neste concurso, mas o examinador que corrigir a minha redação igualmente não vai gostar do resultado’, visto que não me prestaria a embarcar nos argumentos falaciosos de que o ‘capital é do mal e está destruindo a sociedade’.

Elaborei um texto simples, mas ácido, onde, também de forma subliminar, defendi a chamada ‘sociedade do cansaço’ e sugeri que aqueles que não compactuam com esse modelo, que busquem refúgio em outros países que, certamente possuem um estilo de vida ‘mais tranquilo’, mas, por outro lado, falta de tudo, desde democracia até papel higiênico…

Para a minha surpresa, quase obtive nota máxima na redação, sendo descontado alguns décimos em função da luta eterna da grande maioria dos goianos com a ‘última Flor do Lácio’, a nossa língua portuguesa. Creio que os examinadores que corrigiram a minha redação também estão cansados, de tanta hipocrisia e ‘mimimi’. Oxalá!

Abaixo consta a proposta da redação, com os textos ‘motivadores’, a minha redação e o espelho da correção. 

Atendendo a pedidos, segue abaixo, a transcrição do meu texto… Admito que a minha letra poderia ser um pouco  melhor…

“Desde os tempos mais remotos o homem vem se desenvolvendo em todos os seus aspectos, desde o ponto de vista da sua subsistência biológica, na medida em que a expectativa de vida aumentou consideravelmente, até do ponto de vista cognitivo, onde deixou de construir pequenos apetrechos, passando pela Revolução Industrial (sociedade do ‘aperta parafusos’, retratada no filme de Charles Chaplin, intitulado Tempos Modernos), pela segurança alimentar, pela descoberta de novos medicamentos até, hoje, na capacidade de inovação e superação antes inimagináveis, como, por exemplo, a descoberta e a intenção de povoar outros planetas.

Trata-se de uma característica inexorável e natural da raça humana, dotada de inteligência. Negar estes avanços e, pior ainda, ir contra eles, reputando serem nefastos ou culpando outros modelos, é o mesmo que negar a própria qualidade de vida alcançada ou pugnar pelo retorno aos tempos das cavernas, onde não existia tanto cansaço e as únicas preocupações eram obter a caça do dia e manter-se vivo. Por óbvio todos estes avanços também trouxeram consequências danosas, uma vez que tudo que foi alcançado, foi e continua sendo, em função de muito trabalho, estudo, desenvolvimento, pesquisa, meritocracia e até guerras (internas e convencionais). Esse esforço planetário conjunto de toda a civilização humana culminou no surgimento de patologias e hábitos modernos, que devem ser igualmente combatidos e mitigados, como a depressão, cansaço, fadiga, apatia dentre outros.

Como forma de atenuar as consequências dos novos problemas, advindos, em suma, da chamada ‘sociedade do cansaço’, deve-se, dentre outros, desenvolver tratamentos e medicamentos, reduzir a carga horária de trabalho, focar em um único campo de atuação profissional, priorizar a família e as relações pessoais, se desfazer e se desligar de computadores e aparelhos celulares, enfim, buscar algo que  reduza essa busca frenética por um ‘modelo ideal de vida’, talvez tendo como parâmetro o tão amado e odiado estilo americano.

Por fim, cabe a cada um, dentro dos seus valores e concepção ideológica de vida, através do livre arbítrio, rever os seus planos e, caso entenda que está sendo prejudicial, que busque ainda, talvez uma religião, um tratamento médico especializado ou até se mude para países onde não se constata este tipo de imposição moderna, contudo, igualmente não se desfruta dos avanços alcançados por todos.”

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